Biografia

Nascida em Araras, no interior paulista, em 17/05/1935, Ignez Francisco da Silva, filha de trompetista, cercou-se de música desde bem menina. Acompanhada do pai e dos tios músicos, com nove anos, já cantava nos bailes das fazendas da região e nas festas da cidade. Foi a primeira mulher negra a cantar no “Araras Clube”, reduto da elite local. Uma das muitas demonstrações de ousadia e persistência que marcam a vida da dama do samba paulista.

Com menos de vinte anos, ainda na década de 50, mudou-se para Santo André, onde venceu o prestigiado concurso “Peneira Rodini”, que lhe abriu as portas para os clubes, bailes, orquestras (entre elas, as regidas pelos maestros Cyro Pereira, André Beer e Tobias Troise) e rádios (Rádio Cultura, Rádio ABC, e, em especial, a Rádio Record).

A “vida de artista”, pouco a pouco, foi tragada pelas durezas do dia a dia, entregue ao trabalho em cozinhas, casas ou onde desse. Um modesto cargo público, na Prefeitura de São Caetano, diminui-lhe as dificuldades, mas os palcos, sem contar raros reencontros, continuavam distantes. A música, não.

Em 2002, o pontapé da revirada: Dona Inah foi convidada pelo produtor Heron Coelho para participar, ao lado de Marília Medalha e de Fabiana Cozza, do musical “Rainha Quelé”, em homenagem à Clementina de Jesus.

Em 2004, uma apresentação durante o Fórum Mundial da Cultura, no Teatro Municipal de São Paulo, rendeu-lhe a profunda admiração do diretor da “Maison des cultures du monde” (MCM) e criador do “Festival de l’Imaginaire”, Chérif Khaznadar, que a convidou para participar do festival, em Paris, no ano seguinte. Ainda em 2004, Dona Inah gravou seu primeiro disco, com treze sambas, entre eles, dois inéditos: um de Cartola e outro de Ataulfo Alves em parceria com Hermínio Bello de Carvalho.

O show no “Festival de l’Imaginaire”, em 2005, por ocasião do “Ano do Brasil na França”, encantou Paris: “Rainha do Samba de São Paulo”, segundo o jornal Libération. A temporada de sucesso continuou no Marrocos, onde foi aplaudida por quase 15.000 pessoas, durante o “Festival Mawazine”, em Rabat.

De volta ao Brasil, ganhou o Prêmio Tim da Música Brasileira, aos 70 anos, na categoria “Revelação”.

Em 2006, participou do projeto “Na Cadência Paulista do Samba”, que reuniu a nova geração e a velha-guarda de sambistas, sob a direção do compositor Eduardo Gudin.

Em 2008, lançou o disco “Olha quem chega”, inteiramente dedicado à obra de Eduardo Gudin. O disco contou com a participação dos grupos paulistas “Samba Novo” e “Quinteto em Branco e Preto”, do trompetista Silvério Pontes e dos cantores Oswaldinho da Cuíca e Juliana Amaral. No lançamento do disco, no Sesc Pompéia/SP, Dona Inah dividiu o palco com Dona Ivone Lara, Délcio Carvalho, Elton Medeiros, Jair Rodrigues, Raul de Barros, Eduardo Gudin, Germano Mathias, Maria Rita, Monarco, entre outros artistas.

Em 2010, Dona Inah esteve em Cuba, onde gravou 14 canções com músicos cubanos, cantadas em espanhol. O disco será lançado em breve, com a participação do pianista Pepe Cisneros.

Em 2011, ao lado das cantoras Fabiana Cozza, Tereza Gama, Graça Braga e Nilze Carvalho, participou do projeto “Damas do Samba”, em homenagem à Clara Nunes, Clementina de Jesus, Jovelina Pérola Negra e Dona Ivone Lara, com apresentações no Sesc Vila Mariana/SP.

Em 2013, acompanhada pelo grupo “Cadeira de balanço”, no Sesc Pompéia/SP, lançou seu terceiro disco, “Fonte de Emoção”, que, além de um samba de autoria de Inah, conta com composições inéditas de Monarco e Délcio de Carvalho e arranjos de Zé Barbeiro.

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